Memória e cultura popular

53 anos de arte do carnaval de rua.

Conheça a história completa do Bloco da Latinha, desde as primeiras batucadas com latinhas em 1973 até a tradição que atravessa gerações em Carmo do Cajuru.

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Apresentação

Em 2026, o Bloco da Latinha, o bloco mais antigo da cidade, completa 53 anos com a missão de manter vivo o autêntico Carnaval de Rua de Carmo do Cajuru. Essa caminhada é construída em parceria com a Associação Musical Cajuruense, a Banda Bandalha de Divinópolis, músicos da Escola Municipal de Música de Divinópolis e outros músicos de cidades da região.

A Associação Recreativa e Cultural Bloco da Latinha teve início em 1973, quando alguns simpatizantes do carnaval, sem condições de adquirir instrumentos de percussão, resolveram fazer um pequeno arrastão na Rua Tiradentes improvisando latinhas diversas como instrumentos musicais.

Ao longo dos anos, o bloco cresceu e conseguiu adquirir instrumentos de percussão. As batucadas passaram a acontecer em vários locais da cidade, mantendo também o tradicional arrastão que abre o carnaval cajuruense na sexta-feira.

O Bloco da Latinha é familiar e trabalha a iniciação musical com crianças e famílias, além de participar de projetos desenvolvidos em escolas, associações e outros locais onde é convidado. Com 53 anos de existência, o bloco é reconhecido em Carmo do Cajuru e na região pela participação efetiva no carnaval cajuruense.

Esse reconhecimento vem do repertório que preserva as antigas marchinhas, da participação da Associação Musical Cajuruense, da convivência entre crianças, jovens, adultos e idosos e da iniciação proporcionada a integrantes que ajudaram a formar outros blocos hoje existentes na cidade. O Bloco da Latinha mantém a tradição do carnaval fazendo A arte do Carnaval de Rua.

História do Carnaval de Carmo do Cajuru

Toda a história começou no início da década de 70, mais precisamente em 1973, quando um grupo de jovens amigos batuqueiros, entre eles Jéferson Guimarães, Daniel Guimarães (Leco), Nelson Fonte Bôa, Orlando Fonte Bôa, Antônio Lúcio Nogueira (Lucinho), Celso Nogueira, Ijar Milagres e os músicos filhos de Dona Tiana e do Sr. Zico Vital — Nina, Boró e Bené — começaram a fazer batucadas nos dias carnavalescos em frente ao antigo Clube dos 20, posteriormente denominado Danceteria Aquárius.

A percussão era formada por instrumentos feitos de latas e latinhas, pois naquela época era difícil adquirir instrumentos industriais. As latinhas davam o ritmo da folia, puxada pelos instrumentistas de sopro da saudosa Associação Musical Cajuruense, Boró e Bené.

O grupo começou a chamar a atenção dos moradores da cidade, que também entraram na folia com suas latinhas. Foi assim que nasceu o nome, decretado pela própria população que aguardava o bloco nos dias de carnaval: Bloco da Latinha.

Com o fechamento do Clube dos 20, a festa de Momo passou a acontecer em frente à casa de Dona Tiana e do Sr. Zico Vital, onde permaneceu durante muitos anos. A concentração do bloco acontecia sempre na sexta-feira de carnaval, seguida do arrastão pela cidade: saindo da Rua Aquiles Guimarães, passando pelas ruas Rui Barbosa e Tiradentes até chegar à Praça da Estação.

Ao som das tradicionais marchinhas, o bloco era acompanhado por foliões e por bonecos gigantes fabricados artesanalmente pelo Sr. Neném Bechelaine, esposo de Nina, filha de Dona Tiana.

Com o passar dos anos, esses bonecos foram doados à Escola de Samba Unidos do Pavão Dourado. Eles permanecem presentes nos desfiles da escola e se tornaram figuras memoráveis do carnaval cajuruense. Na década de 80, a Unidos do Pavão Dourado juntou-se ao Bloco da Latinha para fortalecer o carnaval da cidade.

Nessa mesma década, o carnaval de salão e os inesquecíveis Bailes de Máscaras começaram a perder força. Ainda assim, ficaram na memória os cordões cajuruenses que marcaram época, como Bloco dos Casais, Farrapos, Girassóis e Irmãos Metralha, além dos blocos infantis Bloco do Delírio e Frutinhas do Futuro. Também se destacaram o Clube dos 20, o Clube dos Pardais e o CEO, palco de grandes pierrôs e colombinas.

Com o passar dos anos, o Bloco da Latinha foi mantido e renovado pelos netos de Dona Tiana, filhos de Boró e Bené, entre eles Luiz Carlos (Zinho), Oldair Nogueira, Marcélio Paulo, Márcia Fonseca, Magali Fonseca e Maiher Menezes.

No início da década de 90, com a colaboração de outros amigos carnavalescos, como Vicente (Baby), Guilherme Dias, Wilson de Castro (Chú), Fernando César e Roberto Rabelo, o bloco decidiu incorporar, além das marchinhas e sambas, o samba-enredo, ritmo marcante das escolas de samba do Rio de Janeiro, e o samba-reggae, ritmo marcante dos grupos afros de Salvador.

No final da década de 90, em 1998, a administração municipal decidiu transformar a cidade na capital do carnaval mineiro. Foi criada uma comissão de carnavalescos formada por Oldair Nogueira, Magali Fonseca, Munir Mansur, Marciano Mansur e Marcelo Madureira, que produziu um grande projeto para o carnaval de Cajuru.

Também foi criada a Banda Kayuru, nome inspirado na origem indígena de Carmo do Cajuru. Formada por músicos da cidade, a banda tornou-se uma sensação do carnaval em toda a região Centro-Oeste de Minas Gerais. Ao lado do Bloco da Latinha e da Unidos do Pavão Dourado, a Banda Kayuru passou a ser mais uma grande força carnavalesca cajuruense.

Com esse movimento, surgiram foliões e novos blocos de vários cantos da cidade, entre eles Caça-Cachaça, Fuzuê da Perereca, Kai no Gole, Carnametal, Cervejetarianos, Anarquistas, Skolnados, Os Paiacentos e o retorno do Bloco dos Casais.

No ano 2000, foi realizado o primeiro Carnaval Temporão da região, denominado Cajumireta, com duas bandas se revezando no mesmo palco e uma banda na área VIP, entre elas a Banda Kayuru.

Em 2001, o músico e compositor Marcelo Madureira lançou seu primeiro CD, A Arte do Carnaval de Rua. As canções Marcha da Lata, O Som da Latinha e Enredo da Latinha tornaram-se conhecidas e ganharam destaque na mídia regional. O músico, que compôs quase todas as canções do álbum, contou com a parceria do percussionista Carlos Jivago, filho de Zinho e neto do Sr. Boró, na canção Enredo da Latinha.

Em 2002, Marcelo Madureira lançou o segundo álbum, A Arte do Carnaval de Rua — vol. II, novamente referenciando as canções tradicionais de carnaval e os blocos carnavalescos da cidade, sem deixar de homenagear o mais tradicional e antigo: o Bloco da Latinha.

A partir daí, o carnaval de Carmo do Cajuru ganhou ainda mais força. O Bloco da Latinha sentiu a necessidade de eleger uma diretoria para organizar suas atividades e, em 2003, Luiz Carlos, o Zinho do Boró, foi eleito o primeiro presidente. O nome de registro passou a ser Associação Recreativa e Cultural Bloco da Latinha.

Carmo do Cajuru, cidade que respira cultura e exporta músicos e artistas para todo o país, continuou formando foliões. Nos anos seguintes surgiram o Bloco Ruassa, Grupo Kayuru, Só Primo, Pagobol e Cachasamba, dando brilho especial à cultura cajuruense.

Assim, com sua tradição cultural, o Bloco da Latinha atravessa décadas e gerações, elevando o nome da cultura de Carmo do Cajuru e mantendo viva sua imortal A arte do Carnaval de Rua.

“Pegue sua latinha e venha pra cá. Fazer um batuque até o sol raiar.”

Projeto 2026

Nome: Carnaval Cajuru — Bloco da Latinha 53 anos & atividades 2026 — “A arte do Carnaval de Rua”.

Objetivo geral: proporcionar alegria, descontração e entretenimento carnavalesco, socializando a participação entre os membros e toda a comunidade, fazendo acontecer a arte do Carnaval de Rua.

Justificativa: manter a tradição do carnaval de rua cajuruense, dando continuidade ao desenvolvimento cultural e social da cidade.